Milton Sales

Deputado Milton Salles

 

 

Um nome que reúne a força, determinação e paixão na luta pela emancipação de Córrego do Bom Jesus

(Inspirado no texto de

Maria Aparecida Chiaradia Finamor e Silva

 

 

 

Em 12 de Dezembro de 1953, o então Governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek de Oliveira, assinou e promulgou a Lei 1039 criando o Município de Córrego do Bom Jesus. O projeto apresentado pelo então Deputado Milton Salles, votado e aprovado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais pôs fim a uma luta de anos e iniciou uma nova caminhada para a pacata cidade no Sul das Gerais.

Mas o caminho para a emancipação foi árduo. O desejo de emancipação era cultivado desde o tempo dos coronéis. Várias tentativas foram abortadas durante anos devido a importância que o distrito de Bom Jesus do Córrego significava para Cambuí, não só como celeiro de grandes homens e mulheres como produtor de economias rurais.

Cambuí evidentemente como não queria perder seus dois maiores distritos, Córrego e Bom Repouso - que também na mesma época teve vitorioso seu processo de emancipação -, lutou com todas as forças tentando evitar a grande conquista. Mas como se sabe, a bravura e a determinação de Milton Salles e a vontade ferrenha dos correguenses prevaleceram e foi possível ver o Córrego emancipado e livre para buscar com suas próprias forças e seus próprios erros sua vocação histórica.

 

A trajetória pela emancipação

Quatro anos antes da emancipação, surgia uma liderança política na região: nosso conterrâneo Milton Salles que pertencia a UDN (União Democrática Nacional), partido que surgiu durante a ditadura e que tinha ideias reformistas e com grande participação na redemocratização do país.

Numa impressionante manifestação pública na praça central, Milton Salles falou sobre as vantagens da emancipação do nosso distrito e a todos estimulou para que, dentro das possibilidades, cada um colaborasse com seu trabalho. Entendemos, hoje, que esse foi um dos atos mais importantes do processo de emancipação. O povo representado por partidários das duas correntes políticas, demostrava a aspiração e unidade na busca da emancipação.

Mas foi após as eleições de 1950, quando Córrego teve seu primeiro representante eleito para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais que o sonho começou a tornar-se realidade. Milton Salles, nascido e criado nesta terra, tomou posse como Deputado Estadual no início de 1951, o que veio trazer uma forte e respeitada voz no Legislativo Mineiro. Começava então a ser cumprida a promessa de campanha: de que o distrito de Córrego seria emancipado. Essa promessa era cobrada por seu próprio pai, o político Sebastião Faustino de Salles, Bastico Salles, como era conhecido.

Foi uma luta árdua. No início existia uma unanimidade, mas pela acirrada luta política existente à época, tanto aqui como em Cambuí, houve uma inestimável cisão de forças que, às vezes, chegou a comprometer o bom e rápido andamento do processo que se desenvolvia.

Porém a habilidade, o espírito conciliador, a capacidade de convencimento de ilustres e honrados correguenses como Miguel Chiaradia, Bastico Salles, Felizindo Finamor, João Batista Nascimento, João Sofia, Fausto Nascimento, Jarbas Finamor, José da Silva Nunes (o Piolim), entre outros, prevaleceram e os obstáculos foram removidos e foi atingido o grande objetivo.

1951 e 1952 foram anos de preparação para garantir o êxito da empreitada, e 1953 foi o ano decisivo. Ano de lutas e acordos, principalmente ante a Câmara Municipal de Cambuí que, obrigatoriamente, teria que autorizar o desmembramento do distrito. Nessa época tínhamos dois representantes na Câmara: Edgar Siqueira do PSD e Miguel Chiaradia da UDN o que veio facilitar a aprovação do projeto no dia 13 de outubro de 1953, após diversas discussões e protestos.

Também no mesmo mês de outubro, um documento de relevante valor, assinado pelo então prefeito de Cambuí, José Francisco do Nascimento e algumas lideranças políticas de Córrego solicitava ao Serviço de Divisão Administrativa e Judiciária do estado, a nossa emancipação. Esse documento apagou todas as divergências, sendo que dois partidos (UDN e PSD), numa feliz união assinaram

Abriu-se aí a possibilidade da concretização do sonho e aos 20 de outubro de 1953, a Comissão de Revisão Administrativa da Assembleia Legislativa de Minas Gerais apresentou parecer favorável. E em 12 de dezembro de 1953 foi promulgada a Lei 1039 criando o município de Córrego do Bom Jesus.

 “É para mim motivo de grande satisfação relatar este processo de emancipação do Distrito de Bom Jesus do Córrego porque ali onde nasci, passei minha meninice e que lá continuam a viver meus pais. Como um dever e uma recompensa aos meus prezados conterrâneos, leais que têm sido para comigo, o que lhes posso oferecer nesse momento é a reafirmação dos meus compromissos com eles assumidos: o de lutar pela sua independência política e administrativa.

Por manifestação é desejo que o futuro município tenha o nome de Córrego do Bom Jesus. Povo essencialmente católico, que desde os primeiros instantes que se falou em emancipar o distrito, entregou a causa ao Padroeiro do futuro município e estavam certos, porque só daqueles que acompanharam o nosso trabalho podem compreender que só mesmo com as suas graças poderíamos ter vencido tantos obstáculos”

 

Trecho do parecer final do Deputado Milton Salles,

relator do processo de emancipação

 

 

Trajetória

Milton Salomon Salles, nasceu no então distrito de Bom Jesus do Córrego em 06 de fevereiro de 1916. Filho de Sebastião Faustino de Salles e Maria de Oliveira Salles, foi o segundo filho do casal e teve os irmãos: Maria de Lourdes, Mercedes, Yolanda, Sebastião e José Maria.

Estudou até a terceira séria em Córrego, a quarta série em Cambuí, o curso ginasial em Pouso Alegre e Superior em Direito na Universidade Belo Horizonte, atual UFMG. Ainda estudante ingressou-se no Partido Integralista, e foi o escolhido para o cargo de Chefe Provincial da Região Sul Mineira.

Formou-se em Direito em 1940 e veio morar em Cambuí onde iniciou sua carreira de advogado. Foi comerciante e sócio da Companhia de Força e Luz Moreira Salles. Criado em Cambuí o Banco Moreira Salles, foi nomeado gerente, sempre trabalhando ao lado do povo.

Casou-se com Maria Auxiliadora em Aparecida (SP) em 9 de outubro de 1941. Dessa união nasceram três filhos: Antônio Milton, Marisa e João Milton.

Iniciou sua carreira política em 1945 no partido União Democrática Nacional (UND). Foi eleito vereador em Cambuí e em seguida candidatou-se a Deputado Estadual pelo mesmo partido. Eleito em 1950, mudou-se para Belo Horizonte com a família.

Em 1953, como Deputado Estadual, com seu grande dinamismo conseguiu a Emancipação de sua terra natal: Córrego do Bom Jesus.

 

Cargos exercidos:

- Chefe de Gabinete de Assuntos Municipais da década de 60, no Governo Magalhães Pinto.

- Diretor do Banco Hipotecário e Agrícola do Estado

- Assessor da Assessoria Técnica Consultiva do Estado

- Eleito Deputado Estadual por quatro vezes e, mais duas vezes, quando era suplente

- Seu último mandato de Deputado estadual foi de 1974 à 1978, quando encerrou a carreira política.

Não gostava de falar sobre o passado porque seu lema era: “O que foi ruim não deve ser lembrado e o que foi bom não volta”

Faleceu em Belo Horizonte em 19 de outubro de 1982

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